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Conclusão do Europeu Tuga

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O dia de draft de ontem, mesmo sem ter sido nada brilhante, ainda deixou algumas esperanças de que pelo menos um Português brilhasse no Europeu deste ano. Mais uma vez as expectativas não se concretizaram. À semelhança do Euro 2000 em que participei, bem como do Euro 2001 que acompanhei em casa via net.

Não posso deixar de sentir alguma tristeza por ter a perfeita consciência de que realmente Portugal não tem condições para fazer muito mais que estes resultados a que nos vamos acostumando, salvo alguns momentos de genialidade de algum ou outro elemento da comunidade Tuga.

O progressivo enfraquecimento e gradual desinteresse pelo jogo da parte dos Portugueses, para além de muitas outras razões quem não têm nada a ver com o jogo em si e que não serão aqui citadas, deve-se também, na minha opinião, ao conjunto de jogadores de elite de Portugal, conhecidos como a Família Real.

Nos últimos tempos, assistiu-se a um nivelamento de valores em Portugal, com mais jogadores ao nível dos melhores. Infelizmente, este foi um nivelamento por baixo, uma vez que é possível de notar, o desleixo que o Quinteto Fantástico demonstra. Julgo que este, é o núcleo central do Magic Português, e que se pusessem algum empenho mais, seriam certamente melhores, bem como o resto dos jogadores que ambicionam ser bem sucedidos.

Dois dos jogadores que já chegaram ao topo do Magic Português e que dificilmente terão mais margem de progressão no mesmo são João Duarte e Pedro Bailadeira.
Ambos, como se recordam, acabaram o primeiro dia 5-2, e eram as maiores esperanças Tugas para o segundo dia. Infelizmente, acabaram ambos por serem as maiores decepções do segundo dia. O João escolheu jogar com o deck agressivo RG que se popularizou nos Nacionais Canadianos como uma opção viável, e no início do dia perguntaram-lhe se ele estava pronto para levar com os Roars, Spiritmongers, e os demais, algo que veio mesmo a acontecer. Após um frustrante 0-3, o João juntou-se ao Frederico Bastos nos dropados.

O Pedro Bailadeira, de quem eu já tinha anunciado que iria jogar de Tog e previsto que alcançaria um resultado semi-decente no mínimo, falhou-me, e duas rondas depois do João também abandonou o torneio após um resultado de 1-4 hoje.

A opção de Tog, no entanto não foi assim tão má para o Campeão Nacional, Kuniyoshi Ishii, graças diga-se, aos sempre constantes topdecks de Fact or Fictions. A razão pelo qual o Kuni fez hoje um melhor resultado, é que no Draft de Odissey, Torment e Judgement não há Fact or Fictions. A mágica azul levou o Kuni a um 4-3 hoje, que somado com ontem faz um resultado de 7-7.

O outro jogador Português que tinha acabado o 1º dia 5-2, o Pedro Dores, decidiu jogar hoje de Opposition de três cores, adicionando contudo Arrogant Wurms ao popular deck do Turian, que permitiu ao Pedro acabar 4-3.

Finalmente eu, às três da manhã ainda não tinha deck pronto para hoje. Ponderava a hipótese de RG ou de Trenches até que aparece a minha lista de deck do Nacional à frente. Pego nela, mudo duas ou três cartas conforme o que penso que poderia ser o ambiente, e estava pronto para hoje – ou assim pelo menos eu pensava.

Comecei o dia a jogar contra um Espanhol de RG, o que eu considero ser um confronto muito acessível para Trenches. No terceiro e decisivo jogo, vá-se lá saber porquê decidi fazer muligan a quatro, e foi-se a ver não foi suficiente para ganhar. Acabei por perder contra outro RG no decorrer do dia, o que achei completamente irreal perder duas vezes por 1-2 contra dois RG. Joguei ainda contra UG Deep Dog e Opposition do Turian, e na ultima Ronda tive um mirror match de Trenches contra o Raphael Gennari, onde penso que ele jogou melhor que eu e ganhou justamente. Curiosamente, e ainda bem, não joguei contra nenhum Tog. Odeio jogar contra decks secantes como Tog e Oath.

No geral, a prestação dos Tugas voltou a ser muito fraca. No 2º dia contaram-se 17 vitórias e 19 derrotas. Talvez seja a altura de mais do que reflectir novamente, de colocar a fasquia um pouco mais elevada, e também de colocar mais empenho e dedicação nos treinos. De resto, mais do que boa vontade, também falta método e organização na forma como se treina e testa em Portugal.

Citando o Friedrich Rademacher: «Os Tugas falharam a todos os níveis, Futebol e Magic»

Estranhamente, isso não se passa com a Alemanha, a qual domina Magic, Formula 1 e na altura em que escrevo isto, existe ainda a possibilidade de dominar no Futebol.

Estou certo que todos nós que participamos neste Campeonato da Europa, estávamos desejosos de dar uma alegria a todos os Portugueses que jogam Magic. Infelizmente, como o Rui Mariani diz, (e disse num artigo com o mesmo nome há mais de um ano) Portugal é a cauda da Europa, e ainda nos encontramos uns furos abaixo de outros países. Não porque não tenhamos valor para isso, mas sobretudo devido à atitude com que encaramos o Magic.

O Europeu para os Tugas acabou.

A próxima paragem é ainda de maiores dimensões, e chama-se Campeonato do Mundo. Com o apoio de todos os Portugueses, Portugal poderá enviar uma Equipa Nacional que é das melhores possíveis que poderíamos ter este ano. Resta aguardar pelo que acontecerá lá.

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