Tugas em Barcelona

  • Print
Author Image

Ainda com memórias do Grand Prix Lisboa a ecoarem, um enorme grupo de jogadores Portugueses resolveu invadir o pais vizinho com sonhos de gloria. Portugal tinha argumentos para estar confiante. Afinal, são raros os Grand Prix onde o número de Portugueses a jogarem exceda a meia duzia. Para alem da enorme quantidade de Portugueses, a invasão Tuga impressionava sobretudo pela elevada qualidade dos mesmos, o que deverá ter sido pretexto suficiente para deixar todos aqueles que não fizeram esta viagem agarrados à Internet para acompanhar as peripécias dos amigos.

Entre todos eles sobressaiam alguns nomes como Frederico Bastos com os seus dois Top 8 de Pro Tour, Rui Mariani, que à quarta tentativa foi de vez, e não regressou para casa já no aeroporto com as malas. Helder Coelho, que esteve anos sem jogar um Grand Prix fora de Portugal, o que não é compreensivel para alguem do seu talento. Hugo Machado, possivelmente dos mais assiduos drafters Online, que teria agora a chance de demonstrar os efeitos desses mesmos drafts.

Ironicamente, foram estes os primeiros a cair, fruto duma hostil competicão com mais de 700 jogadores, e da sempre influencia da sorte; especialmente em Sealed Decks. Os pesos pesados, Fred, Hugo, Helder e Mariani, acabavam assim precocemente a sua participacão. Dropados, e sem qualquer vitoria, exceptuando aquelas dificeis rondas tambem conhecidas por Byes. Aqueles mais atentos à coverage da Sideboard poderão ingenuamente pensar que o Helder ainda ganhou uma ronda ... Ou isso ou o adversário levou um match loss por capas marcadas.

Portugal perdeu as suas melhores armas, mas nunca o espirito Tuga. As esperancas estavam agora na nova geracão de jogadores, como Luis Sousa, Pedro Bailadeira, Kuniyoshii Ishi, João e Ricardo Duarte ; entre outros, aliados aos vencedores do Trial que contavam com a preciosa ajuda dos 3 Byes.

Apesar de nem todos os jogadores com um score de 6-1-1 terem avancado para o segundo dia (esperava-se que alguns ainda o fizessem com 6-2) foi muito bom de constatar que no final do primeiro dia, nove Portugueses sortudos (e tambem talentosos temos de o admitir) alcancaram o segundo dia. Numa posicao menos confortável, mas nada vergonhosa, acabou o puto Márcio, com um score de 6-2, o mesmo resultado que eu.

Pessoalmente, cheguei a encontrar-me 3-2, o que equivale a dizer « oficialmente morto » para depois numa boa recuperacão acabar 6-2, o que incluiu ter de ganhar ao Bram Snepvangers, tambem ele num mau dia, e um Espanhol na ultima ronda, o qual faria Dia 2 se me ganhasse. Nesse featured match acabei por fazer o papel de destruidor de sonhos, já que, como previsto seria muito dificil eu passar, mesmo ganhando. Pelo menos a minha vitória permitiu ao João Coelho passar em 64°.

Falhei assim o meu objectivo ao vir para Barcelona, que era de qualificar-me para o Pro Tour Nice. Estive presente em sete Pro Tours, incluindo os ultimos seis individuais, e ainda estive qualificado para o de equipas em Nova Iorque. Julgo que foi das maiores « streaks » de sempre em Portugal, e provavelmente a maior, caso exceptuemos o caso do Fred, que está no Gravy Train. E sinto-me sem duvida um pouco triste devido a ter acabado, mas os sonhos existem, e quem, sabe o Grand Prix Napoles daqui a 2 semanas permita a continuacão de uma das muitas histórias que compõem o Magic em Portugal.

Por falar em histórias, uma das mais interessantes foi sem duvida a do João Coelho. Sim, o jogador desconhecido que chegou a Barcelona oriundo da margem sul do Tejo, sem byes e que viveu o sonho impossível . Espero que seja um bom incentivo para todos aqueles que aspiram o sucesso no Magic. João Coelho teve a sorte de passar em 64°, e iniciou o 2° dia 4-0. Esteve as ultimas duas rondas a jogar pelo Top 8, que acabou por não alcancar. A infelicidade de não ter tido Byes reflectiu-se no fim, quando o João falhou o Top 16 por Tie Breakers, acabando assim em 22° (os convites para o Pro Tour Nice foram até ao 20°).

O companheiro de viagem do João, Ricardo Ramião tambem teve um bom fim de semana, acabando dentro do Top 32 e respectivos dolares, à semelhanca do Luis Sousa, que havia decidido que deixaria de ir a Grand Prixs na Europa caso não ganhasse dinheiro em Barcelona. O Nuno Costa ainda ganhou algum dinheiro devido ao estatuto de Amador, mas para os outros 5 Portugueses restou a consolacão de terem draftado no 2° dia.

No final, penso que todos, ou pelo menos todos que encaram o Magic duma perspectiva de sobretudo se divertir sem esquecer a competitividade, passaram um fim de semana agradavel, à excepcão dos nossos cromos dropados. Estes ultimos enquanto pensavam se haveriam de ir de volta para o hotel bater com a cabeca na parede para passar o tempo, afogavam as mágoas na bebida (coca-cola). Ou seja, aconselho toda gente a ir a Grand Prixs na Europa, porque acredito que o sucesso do Magic deve-se muito ao circuito de Grand Prixs e não só ao do Pro Tour.

  • Planeswalker Points
  • Facebook Twitter
  • Gatherer: The Magic Card Database
  • Forums: Connect with the Magic Community
  • Magic Locator